Gigante da Internet 2007-11-07 00:05
Google instala-se em Lisboa para aliciar empresas nacionais
‘Dotcom’ vai concentrar-se na publicidade ‘online’, aliciando as empresas portuguesas a investir.
Ana Rita Guerra
O caos que se instalou nas secretárias e os caixotes espalhados pelo chão denunciam o óbvio: a equipa do Google Portugal está a chegar a um moderno escritório da Regus, na Quinta da Fonte.
Passou quase um ano desde que uma delegação europeia da ‘dot-com’ norte-americana veio a Portugal sondar o mercado, agitando o sector tecnológico e acenando com a hipótese de fazer compras entre as tecnológicas mais apetecíveis.
Mas tudo acabou por acontecer da forma mais simples: a Google nomeou um representante, Paulo Barreto, que trabalhou a partir de Espanha até chegar a hora de investir em Portugal. Ou seja, exactamente agora.
“Queremos que as empresas saibam que estamos cá”, explica Paulo Barreto numa entrevista exclusiva ao Diário Económico, algumas horas antes de receber várias dezenas de potenciais clientes no hotel Ritz, no coração de Lisboa.
Entre as empresas convidadas está a PT, casa-mãe do maior rival do Google em Portugal, o portal Sapo. “É um evento para apresentar o escritório”, continua Paulo Barreto, nada incomodado com a alusão à competição entre Sapo e Google.
Na verdade, o que o Google Portugal quer a partir de agora é afirmar-se no mercado da publicidade online e deixar outras guerras para depois. A pequena equipa da estrutura portuguesa, composta exclusivamente por portugueses, foi recrutada ao longo de seis meses com o intuito de criar uma equipa de especialistas. Alguns vieram directamente da sede europeia do Google, em Dublin.
A missão de Paulo Barreto será agora liderar um escritório de vendas totalmente virado para a publicidade ‘online’, que em Portugal representa apenas “3% a 4% do total do investimento publicitário”.
Como o Google consegue rentabilizar o seu negócio
“O Google pode funcionar como uma forma de as empresas portuguesas se internacionalizarem”, afirma Paulo Barreto, convicto que esta plataforma de publicidade é a forma de marketing com maior retorno da actualidade.
O sistema, que se chama AdWords, é muito simples: quando o cibernauta faz uma busca por “crédito à habitação”, aparecem vários ‘links’ patrocinados. Se clicar nalgum destes ‘links’, a empresa que anuncia, por exemplo um banco, paga um montante previamente acordado com o Google. No entanto, este montante é decidido em leilão e não em tabela, como se faz nos meios tradicionais. Paulo Barreto adianta que a empresa “é a favor de criar um mercado justo, em que o preço é definido pela oferta e pela procura”.
Alguns clientes deste sistema são, por exemplo, a Impresa, a RTP e a Cofina. No entanto, o Google acredita que tem potencial para muito mais.
Reino Virtual
- A quota de mercado mundial do Google nas buscas de internet ultrapassa os 60%.
- O valor das acções do Google aumentou oito vezes desde a entrada em bolsa, em 2004. No fecho de ontem, cada acção da ‘dot-com’ valia 741,54 dólares.
- Feitas as contas, a capitalização bolsista do Google é 35 vezes superior à facturação esperada para 2007.
- O escritório português está integrado na região 3 do Google EMEA, juntamente com a Espanha, Itália e França.
- O Google tem 2.500 colaboradores na Europa e doze escritórios de investigação e desenvolvimentos, espalhados por países como Reino Unido, Israel e Suiça, entre outros. Portugal não será, para já, contemplado.
..esperemos que agora a empresa Google Inc não demore 4 meses a reconhecer as transferências bancárias de serviços do Google Adwords!!!