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Brisa acusada de pagar terras “conforme a cara dos donos”

July 27th, 2007 by wilson

Carolino Lopes, dono de oito terrenos do concelho da Figueira da Foz que estão no caminho da futura Auto-estrada do Litoral Centro (A17), acusa o concessionário do equipamento de falta de seriedade.

“Para um terreno de 40 mil metros quadrados onde tinha eucaliptos com sete anos, ofereceram-me 90 cêntimos por metro quadrado, depois um euro e meio e, como eu não aceitei, um euro e 60 cêntimos. Se fossem homens sérios, diziam logo de tal sítio a tal sítio, cada metro vale tanto!…”, protesta Lopes, considerando que o concessionário vem propondo preços pelos terrenos que variam “conforme a cara dos donos”.

Face à recusa de todas as propopostas apresentadas a Lopes, o consórcio Brisal, de que a Brisa é accionista maioritária, com 80% do capital, avançou para a expropriação dos seus terrenos, bem como de outros proprietários, também da zona de Alhadas e Brenha, que declinaram, igualmente, os valores da “Brisa”. “Há tantos! É uma porrada deles…”, afirma.

Para um terreno onde não é permitida habitação, o Brisal ofereceu 1,6 euros por metro quadrado, mas Lopes reclamava 5, “no mínimo”. Para um terreno urbanizável, o concessionário propunha 5,5 euros, e Lopes queria 30.

Nas terras sobre as quais não houve acordo, as máquinas já entraram pelos terrenos adentro. “As obras estão quase prontas”, constata Lopes, incomodado por nem ter aproveitado “milhares de eucaliptos arrasados”.

O proprietário diz ter recebido, há 10 dias, uma série de cartas do concessionário, onde este invoca o interesse público da A17 para avançar com as expropriações. “Se fosse para beneficiar o público, as auto-estradas não tinham portagens”, comenta, desgostoso com a situação. “Estive 32 anos em Angola e roubaram-me tudo o que lá tinha; agora, em democracia, acontece-me o mesmo”, compara.

O troço da A17 em causa ligará o Louriçal (Pombal) a Mira, está orçado em 353 milhões de euros e deve estar pronto em 2008. O troço entre o Louriçal e a Marinha Grande custou 189 milhões e foi inaugurado em Maio.

O JN pediu ontem esclarecimentos à Brisa, sobre a questão das expropriações, mas não obteve qualquer resposta. in Jornal de Notícias


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